
Em espaços públicos ou na intimidade das casas, os presépios continuam a ocupar lugar central nas celebrações de fim de ano no país. Esculpidos em pedra, madeira, acrílico ou apresentados com recursos tecnológicos, os personagens que, segundo a tradição cristã, representam o nascimento de Jesus atravessam gerações e ganham novos significados sociais, culturais e artísticos.
Um dos maiores símbolos dessa devoção está em Grão Mogol, no Norte de Minas Gerais. O Presépio Natural Mãos de Deus, considerado o maior presépio permanente a céu aberto do mundo, ocupa uma área de 3,6 mil metros quadrados na Cordilheira do Espinhaço, a cerca de 570 quilômetros de Belo Horizonte. As figuras, talhadas em pedra, integram um complexo que alcança 30 metros de altura.

Idealizada pelo empresário Lúcio Marcos Bemquerer, falecido em 2021, a obra foi doada à arquidiocese de Montes Claros e se tornou o principal motor do turismo religioso na região. Segundo a Secretaria de Cultura de Minas Gerais, o local registra crescimento anual de cerca de 20% no número de visitantes, impulsionando a economia local e ampliando, em 2024, os empregos do setor em pelo menos 50%.
Também em espaços urbanos, a tradição ganha movimento e tecnologia. Em Brasília, o presépio Som, Luz e Movimento, promovido gratuitamente pelo grupo Arautos do Evangelho, atrai visitantes com personagens esculpidos que se movimentam em cenas narradas. A automação eletrônica, inspirada em tecnologia trazida dos Estados Unidos, transforma a contemplação em uma experiência imersiva.
Brasília (DF), 23/12/2025 – Presépio Mãos de Deus em Grão Mogol (MG). Foto: Conheça Minas/Facebook
Dentro de casa, a prática permanece forte, mesmo em um cotidiano dominado por telas. Para muitos, o presépio vai além da devoção e se torna instrumento de reflexão social. O deputado federal Chico Alencar, apreciador da tradição, escreveu um texto que deu origem a um vídeo nas redes sociais, interpretado pela atriz Fernanda Montenegro. Na narração, a artista destaca o caráter simbólico da cena: uma família sem terra e sem teto, cercada por pastores marginalizados, em um retrato que dialoga com desigualdades ainda presentes na sociedade.
Nas artes visuais, o tema também inspira releituras contemporâneas. Em 2025, a artista carioca Cora Azedo apresentou um presépio em acrílico sobre tela, com cores vibrantes e anjos negros, fiel ao estilo naif que marca sua produção. A obra integrou uma exposição de presépios em João Pessoa (PB). “Esse é o segundo presépio que eu faço”, conta a artista, ao destacar a força simbólica e estética do tema.
Entre pedra, luz, palavras e telas, os presépios seguem conectando fé, cultura e crítica social, reafirmando sua presença no imaginário brasileiro, seja nas praças, nas igrejas ou dentro de casa.
Por: Warley Costa | Portal Imediato.





