
Celebrado nesta segunda-feira, 1º de julho, o Dia Mundial da Fruta destaca não apenas o valor nutricional desse alimento essencial, mas também sua relevância para a economia brasileira. Em 2024, o Brasil exportou mais de US$ 1,38 bilhão em frutas frescas e preparadas, com mais de 1 milhão de toneladas enviadas para o exterior.
A manga lidera as exportações, somando US$ 350 milhões em 2024, com foco nos mercados da União Europeia, Estados Unidos e Reino Unido. Até maio de 2025, o setor já alcançou US$ 80 milhões em vendas, com o Nordeste, especialmente Pernambuco e Bahia, se consolidando como principais regiões produtoras. Também se destacam frutas como uvas, limões, limas e conservas de frutas.
Apesar da potência exportadora, o consumo interno de frutas e hortaliças ainda é baixo e preocupante, segundo especialistas em saúde pública.
Menos de 25% consome frutas como deveria



Um estudo publicado na revista Cadernos de Saúde Pública revelou que apenas 22,5% da população adulta brasileira consome frutas e hortaliças na quantidade recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A recomendação é de cinco porções por dia, em cinco dias da semana, o que corresponde a cerca de 400 gramas diários.
O levantamento, realizado entre 2008 e 2023 com dados do sistema Vigitel, mostrou que, em média, apenas 34% dos adultos consomem esses alimentos regularmente, e menos de um quarto atende às recomendações da OMS.
Segundo a pesquisadora Izabella Veiga, doutoranda em Nutrição e Saúde pela UFMG e uma das autoras do estudo, os números refletem um risco maior para doenças crônicas:
“Esses alimentos fazem parte de um padrão alimentar saudável que protege contra doenças ou evita sua piora quando já estão instaladas”, afirma.
Os dados revelam uma queda significativa no consumo a partir de 2015, após um período de crescimento entre 2008 e 2014. Os pesquisadores apontam possíveis fatores como a crise econômica, pandemia de covid-19, instabilidade política e o aumento do preço dos alimentos saudáveis.
Frutas mais caras que ultraprocessados
Especialistas como Izabella e Ana Maria Maya, do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), alertam para o alto custo das frutas, verduras e legumes, que muitas vezes são menos acessíveis do que produtos ultraprocessados.
Ana Maria destaca que políticas públicas como feiras e sacolões populares, cestas verdes e subsídios diretos já existem em algumas regiões e poderiam ser ampliadas nacionalmente.
“Além da cesta básica, algumas localidades distribuem frutas e verduras adquiridas em centrais de abastecimento, o que reduz o custo para o consumidor”, explica.
Para quem busca uma alimentação mais saudável, a dica é optar por feiras livres e dar preferência a alimentos da estação, geralmente mais baratos e frescos.
Potencial produtivo do Brasil
Enquanto trabalha para incentivar o consumo interno, o Brasil também avança na produção de espécies antes majoritariamente importadas, como maçãs, peras, pêssegos, mirtilos e kiwis, graças ao clima favorável em regiões do Sul e Sudeste.
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, reforçou o apoio à fruticultura no lançamento do Plano Safra 2025/2026:
“Hoje celebramos um dia muito importante para a fruticultura, juntamente com o lançamento do Plano Safra, garantindo mais recursos e oportunidades para os produtores”, afirmou.
O plano contempla linhas de crédito, seguro rural e assistência técnica, fortalecendo a produção e ampliando o acesso da população a alimentos saudáveis e produzidos localmente.
Por: Warley Costa | Portal Imediato.





