Ligue 180 registra mais de 86 mil denúncias de violência contra mulher até julho

Parceria com estados e municípios ainda é limitada; maioria das agressões parte de parceiros e ocorre dentro de casa.
Brasília (DF), 07/08/2025 - A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, toma café da manhã com jornalistas e apresenta o novo painel do Ligue 180. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Imediato News /Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Central de Atendimento à Mulher — Ligue 180 — recebeu 86.025 denúncias de violência contra mulheres entre janeiro e julho de 2025. O número coloca esse tipo de ocorrência em terceiro lugar entre os mais de 594 mil atendimentos realizados pela central no período. A maioria dos casos envolve agressores que são parceiros ou ex-parceiros das vítimas.

Coordenado pelo Ministério das Mulheres, o serviço funciona 24 horas por telefone, WhatsApp, e-mail e videochamada em Libras. Além de acolher vítimas, também orienta sobre leis, direitos e encaminha os casos para os órgãos competentes em cada estado e município.

Nesta quinta-feira (7), o Ministério lançou o Painel de Dados do Ligue 180, plataforma pública que detalha os tipos de violência, perfil das vítimas e dos agressores, contexto das ocorrências e o tempo em que as mulheres convivem com a agressão antes de denunciar.

Lei Maria da Penha e campanha Agosto Lilás

O lançamento do painel marca os 19 anos da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) e integra as ações da campanha Agosto Lilás, que este ano tem como tema: “Não deixe chegar ao fim da linha. Ligue 180.”

Em evento com jornalistas, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou a importância de trabalhar com dados reais.

“Seja nos feminicídios ou em qualquer tipo de violência, a gente precisa entender melhor, analisar e ter estratégias efetivas para mudar esse comportamento”, afirmou.

Perfil das vítimas e dos agressores

Entre as denúncias recebidas, 57,7% das vítimas são mulheres heterossexuais e 44,3% são negras. A maioria dos agressores também é identificada como homem heterossexual (49,2%) e pessoa negra (41,4%). A questão racial aparece como fator agravante, segundo o ministério.

Os tipos de violência mais comuns foram:

  • Violência física – 35.665 casos (41,4%)
  • Violência psicológica – 24.021 casos (27,9%)
  • Violência sexual – 3.085 casos (3,6%)

Os registros mostram ainda que 35.063 das agressões (40,7%) ocorreram dentro da residência da vítima, e 28,2% em domicílios compartilhados com o agressor. Já 21,9% das vítimas relataram que convivem com a violência há mais de um ano antes de buscar ajuda.

Painel de Dados e rede de apoio

A coordenadora-geral do Ligue 180, Ellen dos Santos Costa, explicou que os dados reunidos são inéditos e fundamentais para definir políticas públicas e distribuir orçamento de forma mais eficaz.

Brasília (DF), 07/08/2025 - A coordenadora-geral do Ligue 180, Ellen Costa, apresenta o novo painel do Ligue 180. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Com esse painel, a sociedade, os governos e a rede de proteção podem acessar informações detalhadas para entender melhor a realidade da violência de gênero no país”, disse. O Ministério das Mulheres também lançou o Painel da Rede de Atendimento à Mulher, com informações sobre os serviços públicos disponíveis, como delegacias especializadas, juizados, abrigos e centros de acolhimento.

Pacto Nacional e desafio dos estados

Atualmente, apenas 14 estados assinaram o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, que busca garantir o fluxo correto de encaminhamento das denúncias.

A ministra Márcia Lopes reforçou a importância de que governadores e prefeitos criem secretarias ou setores específicos para políticas voltadas às mulheres.

“Se você não está todo dia olhando, você não tem noção da realidade. E se não conversar com as mulheres, menos ainda”, destacou a ministra.


Como buscar ajuda

📞 Ligue 180 – atendimento gratuito, sigiloso e 24h por dia, de qualquer lugar do Brasil.

📲 WhatsApp: (61) 9610-0180 – atendimento em português, inglês, espanhol e Libras.
📧 E-mail: central180@mulheres.gov.br
🧏‍♀️ Videochamada em Libras para pessoas com surdez.

Em casos de emergência, a recomendação é acionar a Polícia Militar pelo 190.

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