Técnicos de enfermagem são presos suspeitos de matar pacientes na UTI com injeções letais no DF

Investigações apontam uso de medicamentos e até desinfetante aplicado na veia; crimes foram flagrados por câmeras.
Imediato News / Divulgação/PCDF

Crimes de extrema crueldade cometidos dentro de uma UTI de um hospital particular do Distrito Federal chocaram investigadores e familiares das vítimas. Três técnicos de enfermagem foram presos suspeitos de envolvimento em homicídios praticados contra pacientes internados, todos sem qualquer chance de defesa. As vítimas sofreram paradas cardíacas após a aplicação proposital de substâncias diretamente na veia.

Segundo a Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), da Polícia Civil do DF, um dos técnicos é apontado como autor direto das mortes. Ele teria aplicado doses elevadas de medicamentos e, em ao menos um caso, mais de dez injeções de desinfetante intravenoso, provocando parada cardíaca quase imediata. O crime ocorreu quando o suspeito já não tinha mais acesso aos medicamentos controlados do hospital.

De acordo com o delegado Wisllei Salomão, coordenador da CHPP, as provas reunidas são consistentes e demonstram claramente a intenção criminosa. Imagens de câmeras de segurança e a análise detalhada dos prontuários médicos revelam que o técnico chegou a se passar por médico, acessou o sistema hospitalar para prescrever substâncias, retirou os produtos da farmácia e os escondeu no jaleco antes de aplicá-los nos pacientes.

A investigação aponta ainda que o suspeito não agia sozinho. Duas técnicas de enfermagem teriam participado da dinâmica criminosa ao acompanhar as ações e vigiar a porta da UTI para evitar a entrada de outros profissionais. Após as paradas cardíacas, o técnico realizava manobras de reanimação, numa tentativa de simular um atendimento de emergência e despistar a equipe médica.

As duas profissionais foram presas e podem responder por homicídio por coautoria ou negligência grave, já que, segundo a polícia, tinham conhecimento das ações e não denunciaram nem ao hospital nem às autoridades.

Três mortes já foram confirmadas. Uma mulher de 75 anos, professora aposentada, morreu em 17 de novembro após receber múltiplas aplicações de desinfetante na veia. No mesmo dia, um servidor da Caesb, de 63 anos, também faleceu. A terceira vítima foi um homem de 33 anos, servidor dos Correios, morto no dia 1º de dezembro.

A presença de câmeras nos leitos foi decisiva para a descoberta dos crimes. As famílias não desconfiavam que as mortes pudessem ter sido provocadas. O hospital identificou as irregularidades por meio da Comissão de Óbitos e acionou a polícia.

A Polícia Civil não descarta que outras vítimas possam existir, inclusive em outras unidades de saúde onde o suspeito trabalhou ao longo de um ano. Um levantamento está sendo feito para identificar mortes com características semelhantes. Confrontado com as imagens, o técnico confessou os crimes.

Os suspeitos, que atuavam no Hospital Anchieta, em Taguatinga, foram presos nos dias 12 e 15 de janeiro. Eles podem responder por homicídio qualificado, com penas que variam de 12 a 30 anos de prisão. As investigações seguem em segredo de justiça.

Em nota, o Hospital Anchieta afirmou que instaurou comitê interno de análise ao detectar circunstâncias atípicas nos óbitos, conduziu investigação própria e foi o responsável por solicitar a abertura do inquérito policial. A unidade informou ainda que está colaborando integralmente com as autoridades e prestou esclarecimentos às famílias das vítimas, reforçando seu compromisso com a segurança dos pacientes, a transparência e a justiça.

Por: Warley Costa | Portal Imediato.

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