
A tradição centenária de tocar boiada ainda resiste no norte do Tocantins. Durante três dias — 19, 20 e 21 de junho — o pecuarista Mauro Hércules conduziu uma comitiva com mais de 760 cabeças de gado, saindo da Fazenda Monte Alegre rumo à Fazenda Ouro Verde, percorrendo 80 quilômetros entre os municípios de Araguaína, Muricilândia e Santa Fé do Araguaia.
A atividade reúne família, amigos e funcionários há 15 anos, em uma mistura de trabalho, tradição e celebração. “Começou por necessidade, hoje é um momento esperado por todos. É serviço, mas também festa”, disse Mauro.
A comitiva envolveu cerca de 80 cavaleiros, que seguiram por estradas vicinais, trechos asfaltados e áreas de fazendas. O prefeito de Araguaína, Wagner Rodrigues, participou do primeiro dia e destacou a importância da cultura sertaneja: “Cresci vendo meu pai e irmãos tocando boiada. É parte da nossa história”.
Raízes no Tocantins
A família Hércules chegou à região em 1963, quando o pai de Mauro comprou a Fazenda Santa Rosa, no então norte de Goiás. Já em 1981, adquiriram a Fazenda Ouro Verde, onde hoje ocorre o confinamento do gado durante o período de estiagem. “Tudo era mato. O pasto era feito na picada. Honrar essa origem é manter viva a história da nossa pecuária”, contou Mauro.
Araguaína: potência da carne bovina
Conhecida como Capital do Boi Gordo, Araguaína tinha, até novembro de 2024, quase 302 mil cabeças de gado, o terceiro maior rebanho do Tocantins, segundo a Adapec.
Além da tradição, a cidade se destaca economicamente no setor: de janeiro a maio de 2025, exportou 4.638 toneladas de carne bovina para os Estados Unidos, movimentando cerca de R$ 130 milhões. Araguaína está entre os dez maiores exportadores do país para o exigente mercado norte-americano.
A carne produzida na cidade abastece supermercados de todo o Brasil, com apoio de cinco frigoríficos da região. A comitiva da boiada, além de manter viva uma prática do campo, também simboliza a força da pecuária tocantinense.
Por: Warley Costa | Portal Imediato.





