
Uma operação da Polícia Civil foi deflagrada nesta quinta-feira (5) com o objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de praticar fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro. De acordo com as investigações, o grupo teria causado um prejuízo estimado em mais de R$ 1 milhão a uma instituição de pagamentos.
A ação foi coordenada pela 3ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (3ª DEIC – Araguaína) e resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão nas cidades de Araguaína (TO), Divinópolis (MG), Ribeirão Preto (SP) e Nova Iguaçu (RJ), conforme informações da Secretaria da Segurança Pública (SSP).
As investigações tiveram início após a própria empresa vítima identificar movimentações financeiras atípicas e transações suspeitas em seu sistema. A partir do rastreamento financeiro, a Polícia Civil conseguiu identificar um esquema estruturado de golpes, realizados por meio de operações eletrônicas simuladas.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam celulares, computadores, documentos e cerca de R$ 18 mil em espécie. Todo o material recolhido será submetido à perícia para subsidiar o avanço das investigações.
Segundo a Polícia Civil, o suposto líder da organização criminosa seria um morador de Araguaína, apontado como responsável por manter uma empresa de fachada, utilizada para dar aparência de legalidade às transações fraudulentas.
Como funcionava o esquema


De acordo com a investigação, os criminosos simulavam vendas inexistentes para que a instituição financeira liberasse valores indevidos. Para isso, utilizavam cartões de crédito obtidos de forma ilegal, registrando compras fictícias em nome da empresa de fachada. As vendas eram lançadas como reais e, em seguida, os investigados solicitavam a antecipação dos recebíveis.
Os valores eram liberados de forma quase imediata, antes que as fraudes fossem identificadas, e transferidos para contas de “laranjas” em diferentes estados, dificultando a recuperação do dinheiro.
A polícia identificou quatro etapas principais no funcionamento do esquema:
- Obtenção de dados: captura ilegal de informações de cartões por meio de páginas falsas na internet e compra de dados em redes clandestinas, prática conhecida como phishing;
- Vendas fictícias: registro de compras inexistentes em ambiente on-line, sem a presença física do cartão;
- Liberação rápida dos valores: solicitação de antecipação dos recebíveis antes da contestação das vítimas;
- Dispersão do dinheiro: transferência fracionada para contas de terceiros, com o objetivo de ocultar a origem ilícita dos recursos.
Ainda segundo a Polícia Civil, o morador de Araguaína era o responsável geral pelo esquema. Um investigado de Divinópolis (MG) atuava como coordenador técnico, sendo responsável pela criação de páginas falsas e gerenciamento das contas fraudulentas. Em Nova Iguaçu (RJ), um suspeito burlava sistemas de verificação de identidade e captava dados de cartões. Já em Ribeirão Preto (SP), os envolvidos ficavam responsáveis por receber e pulverizar os valores desviados.
“Estamos desarticulando uma organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas e atuação em diversos estados, responsável por fraudes de grande impacto financeiro. A integração entre as equipes policiais foi fundamental para o sucesso da operação e para o avanço das investigações”, destacou o delegado Márcio Lopes da Silva, responsável pelo caso.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros envolvidos e para viabilizar a recuperação dos valores desviados que causaram prejuízo à instituição financeira.
Por: Warley Costa | Portal Imediato.





