
A defesa do governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), entrou com um pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (4), buscando o retorno ao cargo. O pedido foi distribuído ao ministro Edson Fachin na tarde desta segunda-feira (8), mas ainda não há previsão para análise.
Wanderlei e a primeira-dama, Karynne Sotero, foram afastados por 180 dias por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), na segunda fase da Operação Fames-19, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura suposto desvio de verbas públicas e recebimento de vantagens indevidas por agentes políticos durante a pandemia de Covid-19, especialmente envolvendo contratos para fornecimento de cestas básicas.
Em nota, o governador afirmou que respeita a decisão das instituições, mas considera o afastamento uma “medida precipitada”, ressaltando que os fatos ocorreram na gestão anterior, quando ocupava o cargo de vice-governador e não era ordenador de despesas. Já a primeira-dama destacou que irá comprovar sua “total ausência de participação nos fatos”.
No pedido de habeas corpus, a defesa argumenta que não houve corrupção sistêmica, que os fatos são antigos e remetem ao governo do ex-governador Mauro Carlesse (Agir), e que não existem provas cabais que justifiquem o afastamento. A defesa também ressaltou que a gestão de Wanderlei possui bons indicadores econômicos e crescimento do Estado.
Operação Fames-19
A segunda fase da operação investiga a utilização de emendas parlamentares e pagamentos indevidos durante a pandemia, especialmente contratos de compra de cestas básicas e frangos congelados. Segundo a PF, o esquema teria desviado mais de R$ 73 milhões, com parte dos recursos possivelmente destinada à construção de uma pousada de luxo em Taquaruçu, vinculada a um dos filhos do governador.
Entre os investigados estão políticos e empresários. Em agosto de 2024, Wanderlei e a esposa foram alvos de buscas, nas quais foram apreendidos R$ 67,7 mil em espécie e quantias em dólares e euros. A investigação também envolve o ex-marido da primeira-dama, que atuava como lobista intermediando pagamentos do governo às empresas investigadas.
Reações da defesa e órgãos
- Wanderlei Barbosa: “Acionarei os meios jurídicos necessários para reassumir o cargo, comprovar a legalidade dos meus atos e enfrentar essa injustiça, assegurando a estabilidade do Estado e a continuidade dos serviços à população.”
- Karynne Sotero: “Irei dedicar-me plenamente à minha defesa, convicta de que conseguirei comprovar minha total ausência de participação nos fatos.”
- Mauro Carlesse: Defesa afirma que o ex-governador não é investigado nem alvo da operação, reafirmando confiança nas instituições.
- Setas: Secretaria reforça que tem colaborado com investigações e encaminhado informações aos órgãos de controle.
Com o afastamento de Wanderlei, quem assumiu temporariamente o cargo é o vice-governador Laurez Moreira (PSD).
Por: Warley Costa | Portal Imediato.





