Morte de jovem que passou mal em presídio no dia que seria solto faz um ano e mãe pede justiça: ‘um pedaço de mim sangrando’

Jovem de 22 anos ficou doente na cadeia e morreu dois dias depois de ser absolvido. Governo arquivou sindicância que apurava conduta de servidores que trabalhavam na Unidade Penal de Palmas, na época em que Briner morreu.
Foto: Arquivo pessoal

No dia 10 de outubro do ano passado, há exatamente um ano, a notícia da morte de um presidiário ganhou repercussão nacional. O motoboy Briner de César Bitencourt tinha sido preso por tráfico de drogas e passou um ano tentando provar a inocência. Quando finalmente conseguiu, acabou morrendo dois dias depois de sair a decisão que o inocentou. O alvará de soltura atrasou e só foi expedido depois que o jovem tinha falecido.

A morte gerou uma dor difícil de ser curada. Dona Élida Pereira da Cruz Dutra, mãe de Briner, tenta seguir a vida, mas lhe falta alegria.

Relembre o caso

Briner de Cesar Bitencourt tinha 23 anos e morreu enquanto estava preso  — Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

Briner foi preso em outubro de 2021 pela acusação de tráfico de drogas durante uma batida policial na casa onde alugava um quarto. Todo o tempo em que ficou preso, tentou provar sua inocência. Antes de ir para a prisão injustamente, ele trabalhava como entregador por aplicativo e fazia vídeos engraçados nas rede sociais sobre rua rotina como motoboy.

Na prisão ele passou a sentir dores pelo corpo e segundo a Seciju, o quadro de saúde piorou na noite de domingo, dia 9 de outubro, para segunda-feira, dia 10. Ele foi levado para uma UPA da capital, mas não resistiu.

A sentença que determinou a inocência do jovem saiu no dia 7 de outubro, mas ele estava na unidade penal porque ainda não tinha um alvará de soltura. O documento só saiu no dia 10 de outubro, mas Briner já estava morto.

O Tribunal de Justiça foi questionado sobre o atraso na liberação do alvará de soltura e por nota informou que o processo obedeceu ao trâmite normal, ‘sem qualquer evento capaz de macular ou atrasar o andamento do feito’.

Depois da repercussão do caso, o Tribunal de Justiça Tocantins assumiu que houve falha no processo de Briner. “Houve falha. […] Houve um erro terrível e isso é incompatível com a mais elementar ideia de justiça. A expectativa é que o estado tocantinense, como um todo, assuma isso perante a família”, disse o juiz auxiliar do Tribunal de Justiça do Tocantins, Océlio Nobre da Silva.

Briner adoeceu na prisão, mas a família do motoboy nunca recebeu informações sobre o estado de saúde dele. Segundo a Seciju, a pasta seguiu protocolo e isso ocorreu “devido ao sigilo médico/paciente, os atendimentos realizados durante à custódia não são informados”. Depois da repercussão,a pasta disse que “criará uma comissão multidisciplinar para reavaliar os protocolos de comunicação à família”.

O laudo da morte do motoboy foi concluído pela Polícia Científica em novembro, apontando que o jovem teve diversos problemas pulmonares que levaram ao óbito. Segundo o documento, Briner teve tromboembolismo pulmonar, infarto pulmonar, Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS) e pneumonia bacteriana.

Quase um mês após a morte, a mãe do jovem recebeu um e-mail marcando uma visita ao filho na unidade. A mensagem foi encarada como uma piada de mau gosto e a secretaria abriu uma sindicância para apurar o fato que tratou como “grave falha”.

COMPARTILHE:

plugins premium WordPress

Mais Resultados

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Acessar o conteúdo