Trump sugere que EUA “assumam” Gaza e provoca reações internacionais contrárias

Líderes mundiais criticam proposta e defendem autodeterminação palestina; Israel sinaliza apoio à ideia.
Donald Trump e Benjamin Netanyahu durante coletiva de imprensa na Casa Branca | Reprodução.

A proposta do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump de que o país poderia “assumir” o controle da Faixa de Gaza gerou uma onda de críticas por parte de líderes mundiais. Durante um encontro com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, Trump sugeriu que os EUA poderiam administrar o enclave palestino, mas a ideia foi rejeitada por diversos países, que defenderam a autodeterminação dos palestinos e a solução de dois Estados.

As primeiras reações vieram de nações árabes. O Catar, por meio de seu porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Majed Al Ansari, afirmou que os países árabes têm planos para a reconstrução de Gaza com os palestinos permanecendo no território. A Arábia Saudita também se posicionou contra a proposta, reiterando que não normalizará relações com Israel sem a garantia de um Estado Palestino independente, com Jerusalém Oriental como capital.

O Egito, país onde Trump chegou a sugerir que os palestinos poderiam ser realocados, rejeitou a ideia e afirmou que a solução do conflito deve ocorrer sem a remoção dos palestinos de Gaza. A Autoridade Palestina, por sua vez, declarou que não permitirá que os direitos dos palestinos sejam violados, conforme informou a agência estatal Wafa.

A Organização das Nações Unidas (ONU) também se manifestou, alertando que qualquer transferência forçada de pessoas de um território ocupado viola o direito internacional. “O direito à autodeterminação é um princípio fundamental e deve ser protegido por todos os Estados”, destacou o Escritório de Direitos Humanos da ONU.

Na Europa, a França classificou a proposta como uma “grave violação do direito internacional”, enquanto a Alemanha e a Espanha reafirmaram que Gaza pertence aos palestinos. No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer defendeu a reconstrução de Gaza e a solução de dois Estados.

Na América Latina, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, foi um dos mais críticos, afirmando no X (antigo Twitter) que “o povo de Deus é toda a Humanidade”. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou a ideia de Trump como “incompreensível” e destacou que “quem tem que cuidar de Gaza são os palestinos”.

Enquanto isso, Israel sinalizou apoio à proposta. O ministro das Relações Exteriores, Gideon Sa’ar, afirmou que Gaza é uma “experiência fracassada” e que ideias “fora da caixa” devem ser consideradas. Já o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, da extrema-direita, elogiou o plano de Trump e rejeitou a criação de um Estado Palestino, afirmando que trabalhará para “enterrar permanentemente essa ideia perigosa”.

A repercussão internacional mostra que a proposta de Trump enfrenta resistência generalizada, com a maioria dos países defendendo a autodeterminação palestina e a reconstrução de Gaza sob controle local.

Por: Warley Costa / Portal Imediato.

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