
A retirada do gabinete da Vice-Governadoria do Palácio Araguaia José Wilson Siqueira Campos e a transferência para um prédio comercial na região central de Palmas escancararam um racha político entre o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e o vice-governador Laurez Moreira (PSD). A decisão partiu do governador e foi admitida publicamente nesta sexta-feira (16), com declarações duras e sem rodeios.
Laurez afirmou ter sido surpreendido com a mudança e disse que não recebeu qualquer comunicação oficial. O anúncio da transferência foi feito pelo próprio vice-governador nas redes sociais, na quarta-feira (14). Em entrevista à TV Anhanguera, ele reforçou que foi eleito para o cargo e que espera um comunicado formal sobre a retirada do gabinete.
Mesmo após a mudança, Laurez esteve no Palácio Araguaia na quinta-feira (15) e despachou normalmente. “Não recebi comunicado nem dele, nem de assessor, nem de secretário, nem do primeiro, nem do segundo nem do terceiro escalão. Vamos continuar fazendo nosso trabalho. Meu compromisso é com o povo do Tocantins”, afirmou.
O novo gabinete do vice-governador fica a cerca de 1,5 km do Palácio Araguaia, em um prédio localizado na quadra 104 Norte. Já o governo afirma que o espaço está a 500 metros do Palácio, na Avenida JK, em imóvel já alugado pelo Estado, onde também funciona a Secretaria da Igualdade Racial.
Segundo Wanderlei, Laurez não ocupava o gabinete no Palácio desde que ele reassumiu o cargo, em 5 de dezembro de 2025, após afastamento de três meses determinado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Durante esse período, Laurez assumiu como governador em exercício. Wanderlei é investigado, junto com a esposa, Karynne Sotero, na Operação Fames-19, que apura desvios em contratos de cestas básicas na pandemia.
Inicialmente, o governador alegou que o espaço estava “mal utilizado”. Depois, subiu o tom. Em discurso em São Félix do Tocantins, durante entrega de sementes da agricultura familiar, Wanderlei foi direto:
“Eu só pedi para que retirasse ele do meu ambiente de trabalho, porque eu não queria ter convivência com quem me traiu, com quem se juntou a adversário para trair o meu governo.”
Wanderlei também rebateu críticas da ex-senadora Kátia Abreu, que saiu em defesa de Laurez nas redes sociais. “O Palácio é lugar do governador trabalhar. O vice-governador trabalha na vice-governadoria, que pode ser em qualquer prédio público do Estado”, disse. Segundo ele, a permanência de Laurez no Palácio foi “por consideração”, mas essa relação se rompeu.
“Ele conspirou contra o meu governo, contra a minha pessoa e contra a minha família. Eu não quero conviver no mesmo lugar com a pessoa de quem eu não gosto”, declarou.
Em nota oficial, a Secretaria Executiva da Governadoria (Segov) informou que a mudança seguiu critérios técnicos, administrativos e orçamentários e que o espaço antes ocupado pela vice-governadoria estava subutilizado e será remodelado para abrigar secretarias de Estado. A Segov também destacou que não existe qualquer norma legal que obrigue o vice-governador a exercer suas funções dentro do Palácio Araguaia e lembrou que, em gestões anteriores, o gabinete da vice-governadoria já funcionou fora do Palácio.
Já Laurez, em nota, classificou a situação como reflexo de “vaidades que ultrapassam os limites do rigor institucional”. Ele reforçou que é vice-governador eleito, com pleno direito legal de substituir o titular, e destacou que assumiu o governo por determinação judicial.
“Sou livre de vaidades e dedico minha vida e meu trabalho ao que é melhor para o Tocantins”, afirmou.
A crise política ganhou ainda mais repercussão após postagem de Kátia Abreu na rede X, em que atacou Wanderlei Barbosa e afirmou que “o Palácio não é lugar de meliante corrupto”, defendendo que Laurez ocupará seu espaço “quando a justiça do Brasil e de Deus agir”.
Lugar de WB não é no Palácio Araguaia. É só uma questão de tempo e ele vai ver onde será seu gabinete permanente. Vai ver onde é o lugar de meliante corrupto. Laurez vai ocupar o seu lugar de direito quando a justiça do Brasil e de Deus agir.
— Kátia Abreu (@KatiaAbreu) January 16, 2026
O episódio escancara um rompimento político sem precedentes recentes no Executivo estadual e transforma uma decisão administrativa em um embate público, com acusações diretas, troca de notas e desgaste institucional no coração do poder tocantinense.
Por: Warley Costa | Portal Imediato.





