
O Dia dos Namorados costuma ser celebrado com romantismo, declarações de amor e troca de presentes. Mas por trás das flores e mensagens apaixonadas, é preciso ficar atento aos sinais que revelam que o relacionamento pode não ser tão saudável assim. O Ministério Público do Tocantins (MPTO) faz um alerta importante neste 12 de junho: o que parece cuidado pode ser, na verdade, controle e até crime.
A promotora de Justiça Isabelle Figueiredo chama a atenção para comportamentos que, embora disfarçados de zelo, revelam abusos que minam a liberdade e o bem-estar emocional da pessoa. “Relacionamento saudável se baseia em confiança e respeito. Quando há vigilância constante, desconfiança e invasão de privacidade, algo está errado”, afirma.
O que é um namoro saudável?
Para a promotora, um “namoro legal” é construído com:
- Respeito mútuo: valorização da individualidade, sentimentos e limites;
- Confiança e honestidade: pilares para um vínculo seguro;
- Diálogo aberto: conversar inclusive sobre discordâncias, com respeito;
- Apoio à autonomia: incentivo à convivência com outras pessoas e projetos pessoais;
- Consentimento: decisões conjuntas e respeito às vontades do outro.
Mas quando um dos parceiros começa a exigir senhas, controlar horários, ditar roupas ou interferir nas amizades, o sinal de alerta deve ser acionado.
Quando o carinho vira abuso
Isabelle explica que o abuso nem sempre é percebido de imediato, pois começa com pequenos gestos disfarçados de cuidado. “Começa com um ‘posso olhar seu celular?’, depois evolui para vasculhar mensagens, redes sociais, e chega ao controle completo da rotina do outro. Isso não é amor, é posse”, pontua.
Ela destaca os principais sinais de um relacionamento abusivo:
- Ciúme excessivo e possessividade;
- Controle de roupas, amizades e redes sociais;
- Críticas constantes e humilhações;
- Isolamento de amigos e familiares;
- Chantagens emocionais e explosões de raiva;
- Invasão de privacidade — como checar celular sem consentimento.
O abuso pode ser crime
Dependendo da gravidade e da frequência, essas atitudes podem configurar crimes como perseguição (stalking), previsto na Lei nº 14.132/2021. De janeiro a maio deste ano, o Tocantins registrou 367 casos de perseguição — um número já superior ao mesmo período de 2024 (353 casos).
Outros crimes comuns em relacionamentos abusivos incluem:
- Violência psicológica, que desvaloriza a vítima, causa sofrimento e a transforma em objeto. É prevista na Lei Maria da Penha;
- Violência patrimonial, quando o parceiro assume o controle do dinheiro ou bens do outro, muitas vezes sob o pretexto de “gastar demais”;
- Registro não autorizado de intimidade sexual, com 9 ocorrências em 2025 no Tocantins até maio;
- Divulgação de cenas íntimas ou de estupro, que pode ocorrer como forma de vingança: foram 34 registros até maio de 2025.
“Brincadeiras” que machucam
Falas depreciativas sobre o corpo, aparência ou comportamento do parceiro, mesmo que em tom de piada, também são formas de agressão. Comentários como “você engordou”, “não gosto do seu cabelo assim” ou “vou te dar uma roupa menor pra te incentivar a emagrecer” são tentativas de controle e desvalorização.
“Isso não é cuidado, é objetificação do outro. É transformar a pessoa em algo a ser moldado segundo o gosto de quem quer dominar”, reforça a promotora.
Onde buscar ajuda?
Se você está em um relacionamento abusivo ou conhece alguém nessa situação, denuncie. O silêncio alimenta o ciclo da violência. Confira onde buscar apoio:
- 📞 Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (funciona 24h);
- 👮♀️ Delegacia da Mulher (DEAM) ou qualquer delegacia para registro de Boletim de Ocorrência e solicitação de medidas protetivas;
- 🧠 Rede Psicossocial: Centros de Referência (Cras, Creas e Centros de Referência da Mulher);
- 🏛️ Ministério Público do Tocantins: denuncie pela Ouvidoria (127), site oficial, aplicativo MPTO Cidadão ou pessoalmente nas Promotorias de Justiça.
Por: Warley Costa | Portal Imediato.





