

O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), e a primeira-dama Karine Sotero Campos, secretária extraordinária de Participações Sociais, foram afastados de suas funções por decisão do ministro Mauro Campbell, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O afastamento, válido por 180 dias, ocorre no âmbito das investigações da Operação Fames-19, que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos na compra de cestas básicas entre 2020 e 2021, período crítico da pandemia de Covid-19.
Nesta quarta-feira (3), a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da operação, mobilizando mais de 200 agentes para cumprir 51 mandados de busca e apreensão, além de outras medidas cautelares, em Palmas, Araguaína, Distrito Federal, Maranhão e Paraíba. Os alvos incluem órgãos públicos e residências ligadas a agentes políticos.
Segundo a PF, os contratos investigados ultrapassam R$ 97 milhões e envolvem a compra de 1,6 milhão de cestas básicas e frangos congelados. O prejuízo aos cofres públicos é estimado em mais de R$ 73 milhões, com indícios de que parte do dinheiro foi usado na construção de empreendimentos de luxo, compra de gado e pagamento de despesas pessoais.

As contratações foram realizadas pela Secretaria de Trabalho e Ação Social (Setas) sem licitação, amparadas por um decreto estadual de emergência. A suspeita é de que, apesar do pagamento integral, nem todas as cestas tenham sido entregues à população vulnerável.
Na 1ª fase da Operação Fames-19, em agosto de 2024, a residência do governador e de seus filhos já havia sido alvo de mandados. À época, Barbosa alegou surpresa e afirmou não ser “ordenador de despesas”, levantando suspeitas sobre motivações políticas da ação.
O Palácio Araguaia, sede do governo estadual, e a Assembleia Legislativa do Tocantins também foram alvos nesta segunda fase. Até a última atualização, não havia manifestação oficial das instituições nem da defesa do governador e da primeira-dama.
Por: Warley Costa | Portal Imediato.





