
A terça-feira (18) marcou um daqueles dias que mudam o rumo de uma região. Em Xambioá (TO), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou a ponte sobre o Rio Araguaia que enfim conecta o Tocantins ao Pará por via terrestre, ligando Xambioá a São Geraldo do Araguaia, na BR-153. A obra começou lá atrás, no governo Dilma Rousseff, enfrentou paralisações, virou promessa de campanha e hoje é realidade.
E Lula não deixou barato na hora do discurso. Falou firme, direto e mirando nos gestores que paralisam obras por birra política:
“Este país sempre pagou um preço muito caro de irresponsabilidade de prefeitos e governadores que não querem concluir a obra do outro. Enquanto essa ignorância manda no país, quem paga o pato é o povo brasileiro”, disse.
“A gente não precisa ter nenhuma obra parada. Não importa quem começou. Se a obra é importante, o povo precisa dela.”
Ponte de 2 km encerra décadas de travessia por balsa
Com 2.010 metros, 310 metros no lado paraense e 1.700 no tocantinense, a nova ponte aposenta de vez a balsa, que custava entre R$ 2 e R$ 300 por travessia, dependendo do tipo de veículo.
Lula reconheceu a importância do serviço, mas foi claro:
“A balsa existia porque o Estado não cumpria seu papel. Agora, qualquer pessoa atravessa com segurança: bicicleta, moto, carro, caminhão… do jeito que quiser.”
A infraestrutura recebeu R$ 232,3 milhões do Governo Federal, sendo R$ 28,8 milhões do Novo PAC.
A segunda fase, a iluminação pública, já está em planejamento pelo Dnit, com licitação prevista para o primeiro semestre de 2026.
A obra foi executada pelo método de balanço sucessivo, em que a ponte cresce por etapas simétricas a partir de pilares. São 44 pilares sustentando a estrutura.
Impacto direto na logística e na economia
A nova ligação fortalece o corredor logístico da BR-153, reduz custos de frete e acelera o escoamento da produção agropecuária e industrial do Tocantins, Pará e de toda a Região Norte.
Segundo o governo, é um passo estratégico para impulsionar competitividade, exportação e transporte interno.
O ministro dos Transportes, Renan Filho, explicou que a obra passou seis anos em andamento:
“No governo do presidente Lula, concluímos os 45% finais. Essa era a maior obra em andamento no Brasil. Hoje entregamos uma estrutura que integra dois estados e fortalece o agronegócio, o turismo e a população.”
Governadores comemoram entrega “histórica”

O governador do Tocantins, Laurez Moreira, destacou a emoção do momento:
“Não tem nada melhor que ver o sonho das pessoas sendo realizado. Muitos tocantinenses sonharam com essa grande obra. É um marco para nós e para o Brasil.”
O governador do Pará, Helder Barbalho, reforçou:
“A ponte inaugura um novo estágio na infraestrutura regional. Reduz custos, melhora o escoamento e impulsiona emprego e renda.”
Prefeitos celebram o fim da novela
O prefeito de Xambioá, Mayck Câmara, destacou que a espera finalmente acabou:
“Demorou muitos anos, mas o importante é que está sendo entregue hoje.”
O prefeito de São Geraldo, Jefferson Oliveira, agradeceu os investimentos federais:
“Sabemos da importância dessa ponte para nossa economia e para nossa gente.”
População vive o momento como conquista pessoal
A ponte virou símbolo de vitória para quem depende da travessia diariamente.
Suamaria Silva, 47, de Xambioá:
“Achamos que nunca seria entregue. Hoje estamos emocionados e agradecidos.”
A professora Maria da Conceição, 50, de São Geraldo do Araguaia:
“Esperei essa ponte desde criança. É um sonho de toda a região.”
Lula rebate fala do premiê alemão sobre Belém na COP30
Lula aproveitou a visita para responder à declaração do primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, que, após participar da COP30 em Belém, disse estar “feliz por voltar para a Alemanha”.
O presidente foi direto:
“Ele devia ter ido num boteco no Pará, dançado, provado a culinária. Berlim não oferece 10% da qualidade do Pará.”
E completou: “Eu falava toda hora: ‘come a maniçoba, pô’.”
Lula também rebateu críticas sobre preços cobrados durante a COP:
“Reclamam da água no Pará, mas não reclamam da água que pagam no aeroporto internacional.”
Para ele, a COP colocou o Pará no mapa do mundo:
“O estado saiu do anonimato. Hoje qualquer parte do planeta sabe que existe o Pará e a cidade de Belém.”
Presenças de peso
O evento reuniu autoridades federais, estaduais e municipais, entre elas:
— Ministros Jader Filho (Cidades) e Celso Sabino (Turismo)
— Senador Irajá
— Ex-senadora Kátia Abreu
— Deputados federais Alexandre Guimarães e Antônio Andrade
— Deputados estaduais Eduardo Mantoan, Gipão, Gutierres Torquato e Amélio Cayres
— Prefeitos de Muricilândia (João Victor Borges) e Araguaína (Wagner Rodrigues)
— Secretários estaduais, comandantes militares e presidentes de instituições do Tocantins.
O recado final

No encerramento, Lula resumiu o espírito da inauguração:
“Obra importante não tem dono. Tem destino.” E, depois de décadas de espera, esse destino finalmente está pavimentado, sem balsa, sem espera, sem desculpa.
Por: Warley Costa | Portal Imediato.





