
O clima no Palácio Araguaia não é de retorno tranquilo. Mal reassumiu o governo, Wanderlei Barbosa (Republicanos) cravou a criação de uma comissão criada só para passar pente fino em tudo que Laurez Moreira (PSD) fez nesses três meses sentado na cadeira de governador. É auditoria completa: decreto de emergência na saúde, contratos firmados e encerrados, programas lançados, obras inauguradas. Nada deve passar batido.
Wanderlei voltou ao posto na sexta-feira (5), após liminar do ministro Nunes Marques, do STF, que derrubou o afastamento de 180 dias imposto pelo STJ. Ele ficou fora do comando por três meses, em meio às investigações da Operação Fames-19, que apura suposto desvio de recursos na compra de cestas básicas durante a pandemia.
Agora, com o poder de volta às mãos, o governador quer saber tudo que Laurez fez enquanto estava no controle. A comissão terá representantes de cinco áreas estratégicas: Procuradoria-Geral do Estado, Casa Civil, Planejamento, Fazenda e Controladoria Geral. A missão é clara: revisar os 93 dias de governo interino.
Na lista do que será examinado entram o decreto de emergência na saúde, o pacote de R$ 417 milhões para os municípios, os programas Tocantins Presente e Jovem Trabalhador, inaugurações de obras, o plano de saúde dos servidores, a Rede Integrada de Proteção à Mulher e até o recolhimento de caminhonetes realizado no período.
Laurez diz não ver problema

O ex-governador interino recebeu o anúncio com discurso de tranquilidade. Segundo ele, tudo foi feito “com responsabilidade, legalidade e absoluta transparência”. Laurez ainda afirma que sua gestão entregou resultados concretos e melhorias para a população — e garante não ter nada a esconder.
Quando assumiu, no dia do afastamento de Wanderlei, Laurez exonerou todo o primeiro escalão ligado ao titular e passou a governar com a própria equipe, respaldado — segundo ele — por recomendação do STJ. O estopim gerou atrito público e até disputa pelo título de “governador do Tocantins” nas redes sociais. Laurez falava em gestão legítima; Wanderlei falava em perseguição política.
Agora, o jogo virou. Com o tornozelo político novamente preso ao comando, Wanderlei quer os números, os contratos e as decisões na mesa. A comissão vai entregar um raio-X completo — e o relatório pode redesenhar o próximo capítulo da crise no Palácio.
Por: Warley Costa | Portal Imediato.





