
Mais de três meses após a queda da ponte Juscelino Kubitschek, que ligava Aguiarnópolis (TO) a Estreito (MA), moradores de cidades que se tornaram rotas alternativas enfrentam dificuldades diárias. O tráfego intenso de caminhões tem causado buracos, poeira, rachaduras em imóveis e prejuízos ao comércio local.
O impacto é sentido principalmente em Axixá, São Miguel, Sítio Novo e Tocantinópolis. Na TO-134, que corta Axixá, a prefeitura chegou a proibir caminhões em algumas ruas, mas os danos já são evidentes. O asfalto cedeu rapidamente, e os moradores relatam transtornos constantes.
Barulho, poeira e prejuízos
Para quem vive na região, a rotina mudou drasticamente. A dona de casa Nilva Pereira da Silva reclama do barulho ininterrupto.

“A gente não tem sossego nem para dormir, nem para conversar. Se vai atender um telefone, tem que ir para o fundo do quintal, porque aqui não dá para ouvir nada. Os caminhões passam quebrando a calçada.”
O comerciante Eurivaldo Alves precisou fechar seu negócio após rachaduras surgirem nas paredes da casa e do comércio.
“Minha calçada tinha 80 centímetros de distância do asfalto, mas os caminhões foram prensando tudo. Agora, é transtorno 24 horas por dia.”
Já o agricultor Antônio Alves Duarte teme o agravamento da situação nos próximos meses.
“Agora já está um poeirão. E quando chegar julho e agosto, como vai ficar para quem mora aqui?”
No comércio, os impactos também foram negativos. Segundo Claudinei dos Santos Silva, dono de um mercado, as vendas caíram entre 20% e 30%.
Caminhoneiros também enfrentam dificuldades
Além dos moradores, os próprios caminhoneiros sofrem com a mudança. Moacir Gomes Costa relata que o tempo de viagem aumentou significativamente.
“Tem gente que vem de Brasília, Rio de Janeiro, e está gastando duas, três horas a mais para atravessar isso aqui. Aquela ponte era muito importante para o Brasil.”
Recuperação emergencial
Diante da situação, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) anunciou a recuperação emergencial de 82,2 quilômetros das rodovias afetadas. As obras devem começar em junho de 2025 e contemplam trechos da TO-134 e TO-201.
Enquanto isso, moradores e motoristas seguem lidando com os transtornos e aguardam uma solução definitiva.
Relembre a tragédia

A ponte Juscelino Kubitschek desabou no dia 22 de dezembro de 2024, por volta das 14h50. A estrutura já havia sido alvo de denúncias sobre sua precariedade, e um vereador de Aguiarnópolis registrou o momento do colapso.
No instante da queda, duas caminhonetes, um carro, três motos e quatro caminhões passavam pela ponte e caíram no rio. Três dos caminhões transportavam ácido sulfúrico e agrotóxicos, agravando o desastre. O saldo da tragédia foi de 14 mortos, três desaparecidos e apenas um sobrevivente.
Para permitir a construção de uma nova ponte, os destroços foram implodidos no último domingo (2), em uma operação que durou menos de 15 segundos e utilizou 250 kg de explosivos.
As obras para a nova estrutura já começaram, e a previsão do DNIT é de que a ponte seja concluída até o fim deste ano.
Por: Warley Costa | Portal Imediato.