
O metanol, apesar de quimicamente semelhante ao etanol — o álcool presente em bebidas alcoólicas —, apresenta metabolismo no corpo humano muito mais perigoso e pode causar danos permanentes ou até levar à morte, mesmo em doses pequenas. Especialistas alertam para a diferença entre intoxicação por metanol e abuso de álcool comum, destacando sintomas e riscos.

Enquanto o etanol é metabolizado pelo fígado em acetaldeído, que depois se transforma em ácido acético, o metanol gera formaldeído e ácido fórmico, que se acumulam em órgãos e sobrecarregam o sistema nervoso, especialmente o nervo óptico. Os primeiros sinais, geralmente entre 12 e 14 horas após a ingestão, incluem dores de cabeça, náuseas, vômitos, dores abdominais, confusão mental e alterações visuais, que podem evoluir para cegueira temporária ou permanente.
Em casos severos, o ácido fórmico compromete o funcionamento das mitocôndrias, responsáveis pela produção de energia das células, provocando uma espécie de “asfixia celular”. O neurocirurgião André Meireles Borba explica: “É como encher o pistão de um motor com água, impedindo seu funcionamento; o mesmo acontece nas células do corpo, e a intoxicação pode se tornar irreversível”.
O tratamento médico é urgente e inclui correção de acidez com bicarbonato, reposição de vitaminas como ácido fólico, uso de antídotos como etanol venoso e, em casos graves, hemodiálise. Especialistas reforçam que soluções caseiras são perigosas e ineficazes.
Recentemente, a Grande São Paulo registrou três mortes suspeitas por consumo de bebidas adulteradas com metanol. Autoridades locais, incluindo a Prefeitura de São Bernardo do Campo e a Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa-SP), monitoram os casos e orientam os profissionais de saúde a identificar rapidamente os sintomas.
O diretor da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), Rodolpho Heck Ramazzinio, aponta que o metanol utilizado em combustíveis adulterados pelo crime organizado pode ter sido redirecionado para destilarias clandestinas de bebidas. “Esses produtos são vendidos sem preocupação com a saúde de ninguém”, alerta.
Dados do Anuário da Falsificação da ABCF 2025 mostram que o mercado ilegal de bebidas gerou perdas de R$ 88 bilhões em 2024, incluindo sonegação de tributos e prejuízos às indústrias legalizadas.
O governo de São Paulo confirma seis casos de intoxicação por metanol desde junho de 2025, três deles fatais, e dez estão sob investigação.
A recomendação das autoridades é clara: consumir apenas bebidas de procedência confiável, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal, evitando produtos clandestinos que podem representar risco sério à saúde e à vida.
Por: Warley Costa | Portal Imediato.





