Escala 5×2 em supermercados é viável, mas depende de redução de impostos, diz Abras

Setor alerta para aumento de custos e dificuldade operacional, principalmente em empresas menores.
Imediato News / Supermercado | Agência Brasil

A adoção da escala 5×2 no setor supermercadista pode sair do papel, mas não sem contrapartidas. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira de Supermercados, João Galassi, que defende a desoneração da folha de pagamento como condição essencial para viabilizar a mudança.

Segundo ele, manter a jornada de 44 horas semanais com dois dias de folga é possível, desde que haja redução de encargos trabalhistas. “É viável, mas precisa de compensação financeira para evitar aumento de custos”, afirmou.

O debate ganhou força com a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas semanais, atualmente em discussão no Congresso Nacional. Outros setores, como bares, restaurantes e shopping centers, também pressionam por medidas semelhantes para equilibrar as contas diante de possíveis mudanças.

No caso dos supermercados, o principal gargalo está na operação do dia a dia. Galassi destaca que empresas de pequeno porte enfrentam mais dificuldades para reorganizar as escalas. Em muitos casos, há equipes reduzidas, com apenas três funcionários por setor, como açougue ou padaria, o que limita a flexibilidade sem comprometer o funcionamento.

Outro desafio é manter o atendimento contínuo, já que supermercados funcionam todos os dias e dependem de profissionais com funções específicas, o que dificulta substituições internas.

Além da desoneração, a entidade propõe mudanças no modelo de contratação. Uma das alternativas é o regime por hora trabalhada, que, segundo Galassi, permitiria maior flexibilidade tanto para empresas quanto para trabalhadores, ajustando a carga horária conforme a necessidade de cada lado.

Hoje, o setor também enfrenta falta de mão de obra. De acordo com a Abras, existem cerca de 350 mil vagas abertas em todo o país, o que pressiona ainda mais a operação das empresas.

A discussão já chegou ao Congresso. Representantes da entidade e de outros segmentos levaram o tema ao presidente da Câmara, Hugo Motta, defendendo que o debate sobre jornada de trabalho avance junto com mudanças nas formas de contratação.

Para o setor, o recado é direto: reduzir a jornada é possível, mas sem aliviar a carga tributária, a conta pode chegar ao consumidor.

Por: Warley Costa | Portal Imediato.

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