Avós conseguem guarda provisória de bebê indígena abandonada pele mãe em matagal

O pedido de guarda provisória foi feito pela Fundação Nacional do Índio (Funai), que representou os avós maternos da bebê.

Os avós de um bebê indígena de quase dois meses conseguiram, na última terça-feira (30), a guarda provisória da menor, que foi abandonada pela mãe assim que nasceu, no último mês de junho, e foi encontrada por uma agente de saúde indigenista, em um matagal, ainda com o cordão umbilical, na aldeia Santa Isabel do Morro, no município de Lagoa da Confusão.

“O deferimento da guarda aos avós é medida excepcional, a qual deve ser aplicada somente quando ausentes os pais, ou impossibilitados de exercê-la, bem como nos casos em que a criança esteja em situação de risco sob os cuidados parentais, devendo ser alterada apenas quando comprovada a existência de motivos graves no comportamento de seu guardião”, argumentou o juiz Wellington Magalhães, da 1ª Vara da Comarca de Cristalândia, na decisão.

Após ser resgatada, a criança foi levada para São Félix do Araguaia, no Mato Grosso (MT). O Conselho Tutelar acompanhou a criança nos atendimentos hospitalares. Ela ficou internada para passar por exames para ver a condição dela e, logo em seguida, a mãe foi localizada e levada também para o hospital, onde as duas ficaram internadas. Depois de três dias, a criança recebeu alta. Como a mãe não queria contato, ela foi levada para o abrigo onde ficou por 37 dias.

O pedido de guarda provisória foi feito pela Fundação Nacional do Índio (Funai), que representou os avós maternos da bebê.

O pedido de guarda

Segundo a chefe da Coordenação Técnica Local de São Félix do Araguaia (Funai), Rafaella Coxini Karajá, na primeira semana após o nascimento, os avós maternos foram até a Funai e propuseram cuidar da criança.

Eles disseram que não sabiam que a filha estava grávida e que já cuidam de outros filhos(as) da mulher. Ela então entrou em contato com o procurador federal especializado da Funai, Lusmar Soares, que estava acompanhando o caso e, segundo ela, já foi dada a entrada no processo de guarda provisória.
Rafaella disse ainda que a Justiça entendeu a vulnerabilidade em que a criança estava e o pedido da guarda provisória foi concedido.

“O pedido da guarda provisória foi porque nós entendemos que talvez a mãe esteja com uma depressão pós-parto, que possa fazer um tratamento e depois querer a criança e voltar a guarda.”

Depois da decisão, a Funai agendou a entrega da criança aos avós com a presença de toda a comunidade indígena. Agora, a bebê está no seio familiar e continua sendo acompanhada.

“A todo momento, a Funai estava presente para garantia de proteção dessa criança porque o papel da Funai é garantir e proteger os direito dos povos indígenas eu enquanto chefia e minha equipe acompanhamos a todo momento, todas as situações que aconteceram com a criança”, ressalta a coordenadora.

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