
O número de brasileiros que deixam de comparecer às urnas vem aumentando a cada eleição geral no país. Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que, apesar da taxa de abstenção permanecer próxima de 20% do eleitorado nas últimas disputas nacionais, a quantidade absoluta de ausentes cresceu significativamente desde 2014.
Na eleição presidencial de 2014, cerca de 27,7 milhões de eleitores não votaram no primeiro turno. Já no segundo turno, o número chegou a 30,1 milhões. O cenário ficou ainda mais evidente em 2022, quando as ausências atingiram 32,7 milhões no primeiro turno e 32,1 milhões no segundo.

Especialistas avaliam que o fenômeno está ligado a uma combinação de fatores, entre eles o desgaste da classe política, a descrença nas instituições públicas e o sentimento de que o voto pouco influencia mudanças concretas na vida da população.
Para o especialista em direito eleitoral Renato Ribeiro, doutor pela Universidade de São Paulo, a desconfiança crescente na política é um dos principais motivos para o afastamento dos eleitores. Segundo ele, muitos brasileiros passaram a enxergar o processo eleitoral com indiferença, especialmente diante de promessas não cumpridas e crises políticas recorrentes.
Outro ponto levantado por analistas é que, mesmo com o voto obrigatório no Brasil, o comparecimento eleitoral ainda é considerado elevado quando comparado a países onde o voto é facultativo. Em diversas democracias, as taxas de participação costumam ser menores, principalmente entre jovens e pessoas de baixa renda.
Além da falta de interesse político, questões econômicas e sociais também influenciam na decisão de não votar. Dificuldades de deslocamento, mudança de domicílio eleitoral, falta de informação e até o custo para viajar até o local de votação aparecem entre os fatores apontados por pesquisadores.
Especialistas alertam que o crescimento da abstenção acende um sinal de preocupação para a democracia brasileira. Quanto menor a participação popular nas urnas, maior o desafio de fortalecer a representatividade política e a confiança da população nas instituições democráticas do país.
Por: Warley Costa | Portal Imediato





