Confusão em UPA termina com mulher presa após denunciar demora no atendimento e caso levanta suspeita de agressão policial

Professora de 43 anos afirma que buscava atendimento para bebê doente há semanas, gravou situação e acabou detida após discussão; caso expõe crise na saúde e questiona ação policial.
Imediato News / Foto: Reprodução Internet

Uma ocorrência dentro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Tocantinópolis, no norte do Tocantins, terminou com a prisão de uma mulher na noite de segunda-feira (27) e abriu um debate que vai além da confusão: saúde pública precária, direito do paciente e abordagem policial.

De um lado, a versão oficial. Do outro, o relato detalhado de quem estava no centro da situação.

Segundo a Polícia Militar do Tocantins, a equipe foi acionada após denúncias de desordem dentro da unidade. Profissionais relataram que a mulher apresentava comportamento alterado, teria invadido consultório em atendimento, feito ameaças e causado perturbação no funcionamento da UPA.

A corporação informou que tentou conter a situação com diálogo, mas diante da resistência e da continuidade do comportamento, foi necessária a contenção e condução da mulher à delegacia. Ela foi autuada por resistência e desacato.

Quem é a mulher

A reportagem do Portal Imediato ouviu com exclusividade D’ane Oliveira, de 43 anos, professora formada em Letras, que apresentou uma versão mais extensa e detalhada do caso.

Ela afirma que estava na unidade acompanhando a sobrinha, uma bebê de apenas 7 meses, que há cerca de 22 dias vinha apresentando sintomas recorrentes, como febre e secreção, sem diagnóstico preciso mesmo após várias idas à UPA.

“Era a sexta vez que a gente procurava atendimento. A criança vinha sendo medicada e mandada pra casa, sem nenhum diagnóstico concreto. Eu cheguei lá já muito preocupada”, relatou.

Segundo D’ane, a situação se agravou com a demora no atendimento.

“Eu esperei muito mais de uma hora. Saí de casa por volta das 18h. Fiz todo o procedimento, peguei ficha, aguardei. Quando fui pedir informação, vi que tinha consultório vazio. Foi aí que eu comecei a gravar”, afirmou.

Ela conta que tentou diálogo com a equipe antes da gravação, mas não teve retorno.

“Eu pedi ajuda, pedi pra ver a posição da ficha, expliquei que a criança estava passando mal, chegou a se engasgar. Mas não resolveram. Aí eu fui mostrando a realidade.”

Discussão com médico

A situação escalou quando, segundo ela, foi chamada por um médico após a repercussão do vídeo.

“Ele me chamou, mas não pra atender. Queria saber do tumulto. Eu falei: ‘você vai atender ou quer discutir?’. Eu estava ali defendendo um direito. Ele me chamou de louca. Eu bati na mesa e falei que não aceitava aquilo”, disse.

D’ane afirma que deixou o consultório e voltou a esperar atendimento, mas pouco tempo depois a polícia foi acionada.

Abordagem policial e denúncia de agressão

A versão da mulher é mais grave quando fala sobre a condução.

“Eles chegaram já me pressionando. Me deram duas opções que, segundo eu entendi, me incriminavam. Eu disse que não ia aceitar. Aí falaram que eu ia ser presa”, relatou.

Segundo ela, a abordagem teve uso de força.

“Me algemaram com violência, me empurraram, me chutaram. Minha filha viu tudo e tentou me defender. Um policial ainda tentou derrubar ela”, afirmou.

D’ane também acusa agressões já dentro da delegacia.

“Lá dentro foi pior. Disseram que não tinha câmera e que ali era a lei deles. Fui jogada contra parede, levei chute, fui xingada. Estou com marcas no corpo todo. Fiz exame de corpo de delito”, disse.

Ela nega que tenha ofendido toda a classe médica ou policial.

“Eu não ataquei uma classe. Eu reagi a pessoas específicas. Quero justiça. As pessoas têm medo de cobrar seus direitos, e eu não tenho.”

Falha no atendimento é recorrente, diz mulher

Outro ponto levantado por D’ane é a dificuldade de acesso à saúde pediátrica na cidade.

“Não tem atendimento pediátrico regular. Quando tem, é uma vez por mês e lotado. A gente volta pra casa sem solução. Foram seis vezes com a mesma situação”, afirmou.

Segundo ela, outros pacientes também reclamavam da demora.

“Tinha muita gente insatisfeita, mas ninguém fala por medo.”

O que diz a PM

A Polícia Militar do Tocantins reforçou, em nota, que a equipe foi acionada para conter uma situação de desordem e que a mulher apresentava comportamento alterado, tendo invadido consultório e causado perturbação.

A corporação afirma que a condução ocorreu dentro dos limites legais, após tentativa de verbalização e diante da resistência da envolvida.

O caso foi encaminhado à Polícia Civil, que deve apurar tanto a conduta da mulher quanto as denúncias de agressão.

Caso escancara problemas maiores

O episódio vai além de uma confusão isolada. Ele joga luz sobre dois problemas antigos: a fragilidade no atendimento da saúde pública e o limite da atuação policial em situações de conflito dentro de unidades de saúde.

De um lado, uma professora que diz ter perdido a paciência após semanas sem solução para o problema de uma criança. Do outro, profissionais que alegam ter sido ameaçados.

Agora, o caso deve ser investigado. E a resposta que muita gente espera vai além da responsabilização: passa por melhorias no atendimento e mais transparência nas ações dentro das unidades públicas.

A redação do Portal Imediato acompanha o caso e segue aberta para manifestações das autoridades envolvidas.

Por: Warley Costa | Portal Imediato

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