Possível super El Niño preocupa mercado agrícola e ameaça produção de café, cacau e açúcar

Fenômeno climático pode provocar secas, calor extremo e excesso de chuvas em importantes regiões produtoras, impactando safras e preços globais
Imediato News

A possibilidade de formação de um forte fenômeno El Niño no segundo semestre de 2026 tem acendido o alerta entre produtores, analistas e mercados agrícolas em todo o mundo. De acordo com especialistas, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico pode elevar as temperaturas globais, alterar o regime de chuvas e comprometer a produção de importantes commodities tropicais, como café, cacau e açúcar.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou recentemente a presença do fenômeno e estima em 63% a probabilidade de evolução para um evento muito forte, conhecido como “super El Niño”, ao longo de 2027.

O que é o El Niño

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. O evento ocorre naturalmente a cada dois a sete anos e geralmente dura entre nove e doze meses.

Entre seus principais efeitos estão o aumento das temperaturas globais, períodos de seca em algumas regiões e chuvas intensas em outras. Os impactos variam de acordo com a localização geográfica, afetando diretamente a agricultura e a produção de alimentos.

Além dos desafios climáticos, os agricultores enfrentam um cenário de custos elevados com fertilizantes e combustíveis, o que amplia as preocupações com possíveis perdas de produtividade.

Produção de cacau pode sofrer nova queda

O mercado de cacau está entre os mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno. Estudos apontam que todos os episódios fortes de El Niño registrados nas últimas décadas provocaram redução na produção mundial da commodity.

Na África Ocidental, responsável por cerca de metade da produção global, as alterações climáticas podem provocar uma combinação de chuvas excessivas e calor intenso, favorecendo doenças nas plantações e reduzindo a produtividade dos cacaueiros.

Países como Costa do Marfim e Gana, líderes mundiais na produção de cacau, estão entre os mais expostos aos impactos. No Equador, terceiro maior produtor global, o excesso de chuvas também costuma prejudicar o desenvolvimento das lavouras.

Após a quebra da safra africana em 2024, os preços do cacau atingiram níveis recordes, ultrapassando US$ 12 mil por tonelada e elevando significativamente os custos da indústria do chocolate.

Café robusta está entre os mais ameaçados

O café robusta também figura entre as culturas mais suscetíveis aos efeitos do El Niño. O fenômeno costuma provocar temperaturas elevadas e redução das chuvas no Vietnã e na Indonésia, responsáveis juntos por aproximadamente metade da produção mundial da variedade.

As condições adversas afetam principalmente a fase de desenvolvimento dos grãos e podem resultar em menor produtividade durante a colheita.

No caso do café arábica, cuja principal origem é o Brasil, os impactos tendem a ocorrer de forma mais gradual. Inicialmente, temperaturas mais altas podem reduzir o risco de geadas nas áreas produtoras. Porém, no longo prazo, períodos de seca e calor durante a formação da próxima safra podem comprometer a produção brasileira prevista para 2027.

Açúcar apresenta cenário misto

Para o mercado do açúcar, os efeitos do El Niño variam conforme a região produtora. No Brasil, maior produtor e exportador mundial, o fenômeno costuma trazer chuvas acima da média durante o segundo semestre, o que pode dificultar a colheita e reduzir a qualidade da cana-de-açúcar.

Por outro lado, essas mesmas chuvas podem favorecer o desenvolvimento da safra seguinte, prevista para 2027.

Já em países como Índia e Tailândia, importantes produtores e exportadores globais, o El Niño geralmente reduz as precipitações durante o período das monções, comprometendo o desenvolvimento das lavouras e reduzindo a produção.

Analistas do setor estimam que até mesmo um evento moderado pode provocar perdas significativas na safra indiana, influenciando a oferta global da commodity.

Mercado acompanha evolução do fenômeno

Historicamente, episódios de El Niño costumam provocar oscilações nos preços das commodities agrícolas devido às incertezas sobre a produção. Com a possibilidade de um evento de grande intensidade nos próximos meses, produtores, investidores e governos acompanham atentamente os indicadores climáticos.

A expectativa é de que os impactos variem entre regiões e culturas, mas especialistas alertam que o fenômeno poderá representar um dos principais desafios para a agricultura global nos próximos anos.

Por: Warley Costa | Portal Imediato

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