Petrobras reduz preço do querosene de aviação em 14,5% após alívio no mercado internacional

Segundo corte consecutivo no combustível de aeronaves diminui valor em R$ 0,81 por litro; apesar da queda, preço ainda acumula alta de 40,5% em 2026.
Imediato News / Foto: Rodrigo Mello


A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (1º) uma redução de 14,5% no preço de venda do querosene de aviação (QAV) comercializado para as distribuidoras. O reajuste, que ocorre mensalmente, representa o segundo corte consecutivo no combustível utilizado por aviões e helicópteros e já está em vigor.

Com a redução, o preço do QAV caiu R$ 0,81 por litro. Nas refinarias da estatal, o combustível passa a ser vendido entre R$ 4,67 e R$ 4,93 por litro, dependendo da unidade fornecedora.

Segundo a Petrobras, a queda foi possível devido à diminuição das pressões sobre o mercado internacional de petróleo, após a redução dos impactos provocados pelo conflito no Oriente Médio. Nas últimas semanas, o cenário global registrou maior estabilidade na oferta de petróleo e derivados, refletindo diretamente na formação dos preços.

Apesar da redução anunciada neste mês, o querosene de aviação ainda acumula alta de 40,5% em relação ao fim de 2025. No acumulado do ano, o combustível ficou R$ 1,39 por litro mais caro.

Guerra elevou preços

A disparada dos preços ocorreu após a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que afetou a cadeia logística mundial do petróleo. Um dos principais fatores foi a interrupção do fluxo no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passava cerca de 20% da produção global de petróleo e gás antes da crise.

Com a redução da oferta internacional, as cotações do petróleo aumentaram significativamente. Como o petróleo e seus derivados são commodities negociadas no mercado global, os preços praticados no Brasil também sofrem influência das oscilações internacionais, mesmo com o país sendo produtor da matéria-prima.

Histórico de reajustes

Nos últimos meses, o mercado registrou fortes oscilações no preço do QAV. Em abril, a Petrobras promoveu um reajuste de 55%. Em maio, houve novo aumento de 18%, ocasião em que a estatal autorizou o parcelamento do reajuste pelas distribuidoras para reduzir os impactos financeiros sobre as companhias aéreas.

Já em junho, a empresa iniciou o movimento de queda, reduzindo o preço em 14,2%. Agora, em julho, o novo corte de 14,5% reforça a tendência de recuo acompanhando a estabilização do mercado internacional.

O alívio nas cotações também permitiu ao governo federal iniciar a retirada gradual dos subsídios concedidos às empresas produtoras e importadoras de combustíveis durante o período de maior instabilidade, medida criada para evitar aumentos mais expressivos ao consumidor.

Como funciona a comercialização

A Petrobras responde por aproximadamente 85% da produção nacional de querosene de aviação, mas o mercado é aberto à concorrência de outras produtoras e importadoras.

O combustível é vendido pela estatal às distribuidoras, que ficam responsáveis pelo transporte e pela comercialização às companhias aéreas, operadores de aeronaves e demais consumidores nos aeroportos de todo o país. Embora a redução nas refinarias represente um alívio para o setor, o preço final pago pelas empresas depende ainda de custos de transporte, logística, tributos e das margens praticadas pelas distribuidoras.

Por: Warley Costa | Portal Imediato

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