
A história da professora Valéria de Castro Alves, de 41 anos, continua emocionando moradores de Araguaína e de todo o Tocantins. Após a morte da educadora, confirmada no último domingo (12), o marido, Emersom Castro, relembrou a rotina de cuidados durante mais de um ano de tratamento contra um câncer de pulmão e contou que permaneceu ao lado da esposa até os últimos instantes de vida.
Valéria foi sepultada na manhã de segunda-feira (13), no Cemitério Jardim das Paineiras, em Araguaína. Ela deixa o marido e os filhos Arthur, de 9 anos, e Samuel, de 2.
Em meio ao luto, Emersom afirmou que fez tudo o que estava ao seu alcance para acompanhar a esposa durante a luta contra a doença.


“Eu acompanhei ela e a amei até o fim. Não medi esforços. Estudei a doença, conheci os tratamentos, cuidei dela em tudo o que foi necessário. Eu só tenho a agradecer a Deus por ter me dado o privilégio de caminhar ao lado dela”, disse.
Durante todo o tratamento, ele passou a acompanhar consultas, exames e a administração dos medicamentos, assumindo também os cuidados diários da esposa.
“Eu conhecia todos os medicamentos, acompanhava os médicos, administrava os remédios e cuidava dela diariamente. Nos últimos meses, eu ajudava em tudo, desde o banho até a hora de se vestir”, relatou.
Segundo o marido, mesmo diante das limitações impostas pela doença, Valéria enfrentou o tratamento com serenidade e fé.

“Ela sentia dores controladas pelos remédios e tinha algumas limitações, como não conseguir mais brincar com nossos filhos ou carregar o caçula no colo. Mas ela enfrentou tudo com muita fé.”
O maior desejo da professora era acompanhar o crescimento dos filhos, sonho que, de acordo com Emersom, foi a principal motivação para seguir lutando.
“Ela era apaixonada pelos nossos filhos. O maior sonho dela era vê-los crescer. Nós decidimos lutar juntos por eles e pelo nosso amor.”
Ao recordar a despedida, o marido revelou que permaneceu ao lado da esposa até o último momento.
“Ela partiu em paz. Eu pude segurá-la nos braços até o último suspiro. Foi um momento de muito amor.”
Diagnóstico e tratamento



Valéria recebeu o diagnóstico de câncer de pulmão em maio de 2025, quando a doença já estava em estágio quatro. Exames também identificaram uma mutação rara, o que tornou o tratamento ainda mais desafiador.
Inicialmente, ela passou por sessões de quimioterapia e utilizou medicamentos adquiridos por meio de uma campanha de arrecadação. Com o avanço da doença e a falta de resposta do organismo ao tratamento, iniciou um protocolo de imunoterapia.
Durante esse período, a professora chegou a ser internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em Barretos (SP), mas conseguiu se recuperar.
“Nós vivemos um milagre naquele período. Ela conseguiu sair da UTI, iniciar um novo tratamento e ainda viveu cerca de oito meses com qualidade de vida”, contou Emersom.
Vídeo emocionou milhares de pessoas
Meses antes de morrer, Valéria publicou um vídeo nas redes sociais em que falava sobre o desejo de viver para acompanhar o crescimento dos filhos. Após sua morte, a gravação voltou a circular e emocionou milhares de pessoas, tornando-se uma das homenagens mais compartilhadas à professora, que dedicou mais de duas décadas à educação em Araguaína e deixou um legado de amor, fé e dedicação à família e aos alunos.
Por: Warley Costa | Portal Imediato





