
A Justiça Militar condenou o ex-sargento da Força Aérea Brasileira (FAB) Manoel Silva Rodrigues a três anos de prisão pelo crime de associação para o tráfico de drogas. A decisão é referente ao caso em que o militar foi preso em flagrante transportando 37 quilos de cocaína em uma aeronave da FAB, durante uma missão oficial na Espanha, em junho de 2019.
Natural de Xambioá, no norte do Tocantins, Manoel foi detido no aeroporto de Sevilha enquanto integrava a equipe de apoio à comitiva presidencial brasileira. Na época, a aeronave fazia parte da estrutura de deslocamento do então presidente Jair Bolsonaro.
O ex-militar já havia sido condenado anteriormente a 17 anos de prisão por tráfico internacional de drogas. A nova sentença trata da atuação de uma organização criminosa responsável por enviar entorpecentes ao exterior utilizando a estrutura de missões oficiais da Aeronáutica.
Grupo criminoso
Além de Manoel Silva Rodrigues, a Justiça Militar também condenou o empresário Marcos Daniel Gama, apontado como financiador e responsável pela droga apreendida, e o segundo-sargento da Aeronáutica Jorge Luiz da Cruz Silva.
Segundo a decisão, o grupo aproveitava as facilidades concedidas às comitivas oficiais em viagens internacionais para tentar escapar da fiscalização alfandegária.
Na sentença, o juiz Frederico Magno de Melo Veras afirmou que Manoel teve participação ativa na organização criminosa e não atuava apenas como transportador da droga.
De acordo com o magistrado, o ex-sargento conhecia os procedimentos adotados em missões oficiais e tinha ciência de que sua bagagem dificilmente seria submetida a inspeções, circunstância que favoreceria o transporte da cocaína.
Investigação
As investigações apontaram que a carga apreendida era avaliada em cerca de 1,3 milhão de euros, o equivalente a aproximadamente R$ 6 milhões na cotação da época.
O Ministério Público Militar também denunciou Manoel e a esposa por lavagem de dinheiro, sob a alegação de que recursos obtidos com o tráfico teriam sido utilizados na compra de bens e em depósitos bancários. No entanto, a Justiça absolveu o casal dessa acusação por falta de provas.
Pena na Espanha
Atualmente, Manoel Silva Rodrigues cumpre pena de seis anos de prisão na Espanha, em regime equivalente à liberdade condicional. O país analisa um pedido de extradição para que ele retorne ao Brasil e cumpra a pena de 17 anos imposta anteriormente pela Justiça Militar pelo crime de tráfico internacional de drogas.
Após o caso, o ex-sargento foi excluído dos quadros da Força Aérea Brasileira. Ele atuava como comissário de bordo em voos da FAB.
Por: Pedro Coutinho | Portal Imediato





