Governo prepara apoio a empresas e avalia reciprocidade após tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros

Vice-presidente Geraldo Alckmin classifica medida como "injusta e descabida", enquanto governo promete ampliar mercados, negociar com os Estados Unidos e proteger setores afetados.
Imediato News / Foto: Valter Campanato

O governo federal anunciou que irá reforçar o apoio às empresas brasileiras afetadas pela decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil. Entre as estratégias estão a abertura de novos mercados internacionais, a criação de medidas de suporte ao setor produtivo e a possibilidade de adotar ações de reciprocidade comercial.

Nesta quinta-feira (16), o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que a decisão norte-americana é “injusta e descabida”. Segundo ele, dados do próprio governo dos Estados Unidos mostram que, nos últimos 15 anos, o país acumulou um superávit superior a US$ 420 bilhões na balança comercial com o Brasil.

Alckmin também garantiu que o governo federal prepara um programa para reduzir os impactos da medida sobre empresas brasileiras que dependem do mercado norte-americano.

A decisão dos Estados Unidos foi justificada por alegações de supostas barreiras comerciais impostas pelo Brasil. Entre os argumentos apresentados pelo governo norte-americano estão críticas ao sistema de pagamentos Pix, além de questões relacionadas ao etanol, ao combate ao desmatamento ilegal e à legislação anticorrupção brasileira.

Durante coletiva, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o Brasil manteve negociações com os Estados Unidos, mas deixou claro que não aceitará acordos que comprometam a soberania nacional.

Segundo ele, entre as propostas apresentadas pelos norte-americanos estavam a abertura total do mercado brasileiro para o setor químico, a redução a zero das tarifas sobre bens industriais e maior acesso de produtos automotivos dos Estados Unidos ao mercado brasileiro.

Já o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, informou que o governo avalia a adoção de medidas de reciprocidade com base na legislação aprovada pelo Congresso Nacional. Ele ressaltou que o Brasil continuará defendendo interesses estratégicos, como o Pix, a soberania nacional e a democracia, sem abandonar a possibilidade de negociação diplomática.

O Ministério da Fazenda também trabalha na elaboração do programa Brasil Soberano, que deverá oferecer apoio às empresas prejudicadas pelas novas tarifas. A expectativa é que reuniões com representantes dos setores impactados ocorram já na próxima semana para definir as medidas de auxílio.

Apesar da decisão dos Estados Unidos, o governo brasileiro destaca que apenas 15% das exportações nacionais tiveram como destino o mercado norte-americano em 2025. A avaliação é que a diversificação dos parceiros comerciais pode reduzir os impactos da nova tarifa, enquanto o Brasil mantém abertas as negociações para buscar uma solução diplomática ao impasse comercial.

Por: Warley Costa | Portal Imediato

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