
O trabalho das quebradeiras de coco babaçu agora faz parte oficialmente do patrimônio cultural brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que reconhece a atividade como manifestação da cultura nacional, valorizando uma tradição mantida há gerações por milhares de mulheres em estados como Tocantins, Maranhão, Piauí e Pará.
O anúncio foi feito nesta semana durante uma cerimônia promovida pelo governo federal em Brasília. A medida destaca a importância histórica, social, econômica e ambiental das comunidades que vivem do extrativismo do babaçu, atividade que garante renda para inúmeras famílias da zona rural.
No Tocantins, as quebradeiras de coco estão organizadas em associações, cooperativas e movimentos sociais que atuam na preservação dos babaçuais e na defesa dos territórios tradicionais. Além de representar uma fonte de sustento, a atividade é vista como um exemplo de uso sustentável dos recursos naturais, contribuindo para a conservação da vegetação nativa.
Do coco babaçu são produzidos diversos itens utilizados no dia a dia das comunidades, como óleo, farinha, carvão vegetal, sabão, alimentos e peças de artesanato. A cadeia produtiva movimenta a economia local e fortalece a autonomia financeira de milhares de mulheres.
O reconhecimento também reforça a luta histórica das quebradeiras pelo acesso aos babaçuais. Em várias regiões, o avanço da agropecuária e a concentração de terras têm reduzido áreas tradicionalmente utilizadas pelas comunidades extrativistas. Por isso, movimentos sociais defendem há décadas o chamado “babaçu livre”, que busca assegurar o acesso às palmeiras mesmo quando elas estão localizadas em propriedades privadas.
Segundo o governo federal, a nova legislação ajuda a preservar conhecimentos transmitidos entre gerações e fortalece a proteção de um modo de vida que faz parte da identidade cultural de diversas comunidades tradicionais brasileiras.
A sanção integra um conjunto de medidas ambientais anunciadas pelo governo federal, incluindo ações voltadas à restauração florestal, ampliação de áreas protegidas e fortalecimento de povos e comunidades tradicionais em todo o país.
Por: Warley Costa | Portal Imediato





