
A Justiça do Rio de Janeiro aumentou as penas dos ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio Queiroz pelos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, além da tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves.
A decisão foi tomada pela Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), em julgamento realizado na terça-feira (4).
Com o novo cálculo, a pena de Ronnie Lessa passou de 78 anos e nove meses para 81 anos e 10 meses de prisão. Já a condenação de Élcio Queiroz, inicialmente fixada em 59 anos e oito meses, aumentou para 76 anos e seis meses.
Os dois foram condenados pelo 4º Tribunal do Júri da Capital, em outubro de 2024, por duplo homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio e receptação.
Ministério Público pediu aumento
A revisão das penas ocorreu após recurso apresentado pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ).
O órgão argumentou que a sentença original não havia considerado de maneira suficiente algumas circunstâncias dos crimes no momento de calcular as penas.
Entre os pontos apresentados estavam o planejamento da execução, a intensidade da intenção criminosa, a utilização de um veículo clonado e a forma como os disparos foram realizados em uma via pública com circulação de pessoas.
A repercussão internacional dos assassinatos também foi considerada no julgamento do recurso.
Tentativa de matar assessora
Outro ponto analisado foi a tentativa de homicídio de Fernanda Chaves, que estava no veículo com Marielle e Anderson no momento do ataque.
O Ministério Público defendeu uma redução menor da pena relacionada à tentativa de homicídio porque os atos praticados chegaram perto de provocar a morte da assessora.
Segundo o MPRJ, Fernanda conseguiu sobreviver porque se abaixou dentro do carro durante os disparos. O corpo de Marielle também teria funcionado como barreira para parte dos tiros.
Crime ocorreu em 2018
Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinados na noite de 14 de março de 2018, no bairro do Estácio, região central do Rio de Janeiro.
Ronnie Lessa foi apontado como responsável pelos disparos, enquanto Élcio Queiroz dirigia o veículo utilizado na execução.
Após anos de investigação, os dois foram levados a júri popular e condenados em 2024. Agora, com o julgamento do recurso apresentado pelo Ministério Público, ambos tiveram as penas ampliadas.
Por: Pedro Coutinho | Portal Imediato





