
A combinação entre conhecimento tradicional, pesquisa científica e inovação tecnológica está impulsionando uma nova economia na Amazônia. No oeste do Pará, iniciativas desenvolvidas em Belterra e na Floresta Nacional do Tapajós mostram como a bioeconomia vem gerando negócios sustentáveis, fortalecendo comunidades e agregando valor aos recursos da floresta.
Belterra, município criado na década de 1930 pelo empresário norte-americano Henry Ford durante o ciclo da borracha, volta a ganhar destaque como polo de inovação. A cidade abriga o Museu de Ciência da Amazônia (Muca), que está em fase de implantação e terá o maior banco genético vivo do planeta, além de um laboratório voltado à pesquisa da biodiversidade amazônica.
Segundo o coordenador educacional do museu, Artur Carvalho, o espaço foi concebido para aproximar ciência e comunidades tradicionais.
“É um laboratório que, ao mesmo tempo em que desenvolve tecnologias para novos produtos, como cosméticos, está próximo das comunidades de onde vêm os insumos utilizados nessas pesquisas”, explica.
Biodiversidade vira oportunidade de negócio
Um dos exemplos dessa transformação é a empresa Mahah Cosméticos, criada pela farmacêutica Melissa Karen Lage. A marca nasceu a partir de pesquisas realizadas na universidade e utiliza ingredientes da biodiversidade amazônica na fabricação de cosméticos biodegradáveis.
Os produtos são desenvolvidos com óleos e manteigas vegetais produzidos no Pará, valorizando matérias-primas regionais e a produção das comunidades extrativistas.
Melissa destaca que empreender utilizando recursos da Amazônia representa uma mudança de perspectiva.
“É muito gratificante utilizar matérias-primas daqui, trabalhar com as comunidades e mostrar que a Amazônia também produz ciência e inovação com qualidade”, afirma.
Ciência fortalece cadeias sustentáveis
Para a professora de Economia da Universidade de São Paulo (USP), Maria Sylvia Saes, a união entre conhecimento tradicional e pesquisa científica é essencial para garantir rastreabilidade, distribuição mais justa da renda e valorização dos produtores locais.
Segundo ela, esse modelo representa uma transição para uma nova forma de explorar os recursos naturais, baseada na sustentabilidade e na geração de valor para quem vive na floresta.
Mulheres transformam andiroba em fonte de renda
Parte da matéria-prima utilizada pela Mahah Cosméticos é produzida por mulheres da comunidade da Floresta Nacional do Tapajós.
As integrantes da associação Amélias da Amazônia trabalham com a extração do óleo de andiroba desde 2016. O grupo surgiu para evitar o desperdício das sementes e criar uma alternativa de geração de renda para as famílias da comunidade.
O processo é totalmente artesanal e envolve o cozimento das sementes, retirada manual da polpa e extração do óleo, utilizado na fabricação de xampus, sabonetes e outros produtos naturais.
A presidente da associação, Marileide Dias da Silva, afirma que o crescimento do grupo é resultado da persistência das mulheres envolvidas no projeto.
“Nós acreditamos que esse trabalho poderia mudar a vida das nossas famílias. Hoje estamos colhendo os frutos dessa dedicação.”
Setor movimenta bilhões na Amazônia
A bioeconomia já representa uma importante atividade econômica na Amazônia Legal. Atualmente, o setor movimenta mais de R$ 12 bilhões por ano, gera cerca de 347 mil empregos e reúne aproximadamente 84 mil trabalhadores formais, entre empregos diretos e indiretos.
Os resultados reforçam o potencial da floresta como fonte de desenvolvimento sustentável, aliando conservação ambiental, geração de renda e valorização dos conhecimentos tradicionais das populações.
Por: Warley Costa | Portal Imediato





