
O pai e a madrasta de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, foram presos preventivamente na madrugada desta quinta-feira (6), em Palmas. Igor Gustavo Veloso de Sousa, de 33 anos, e Kathellen Moreira, de 23 anos, são investigados por envolvimento na morte da criança.
Segundo o delegado Eduardo Menezes, responsável pelo caso, a investigação apura os crimes de homicídio duplamente qualificado e tortura. A classificação ainda pode ser modificada conforme a conclusão dos exames complementares e o avanço do inquérito.
Gustavo foi encontrado morto na segunda-feira (3), depois de passar o fim de semana na casa do pai e da companheira dele. A versão inicial de que o menino havia sofrido um afogamento foi contrariada pelos exames do Instituto Médico Legal, que identificaram múltiplas agressões, hemorragia interna e lesões no intestino.
Quarta-feira: Polícia Civil pede a prisão do casal
O pedido de prisão preventiva foi encaminhado à Justiça na tarde de quarta-feira (5), após os investigadores reunirem depoimentos, imagens, resultados preliminares da perícia e informações obtidas durante as diligências.
A solicitação incluiu Igor e Kathellen. A Polícia Civil não detalhou qual conduta específica é atribuída a cada um porque o inquérito tramita sob sigilo.
A Justiça aceitou o pedido e expediu os mandados. Horas depois, os dois foram presos em uma residência na quadra 407 Norte, onde estavam hospedados.
Como ocorreram as prisões
Equipes policiais acompanhavam a movimentação do casal e permaneceram nas proximidades da casa. Moradores também teriam informado sobre uma movimentação considerada incomum no imóvel.
Quando perceberam a aproximação dos agentes, os investigados entraram em contato com os advogados. A defesa de Igor afirma que a entrega havia sido acertada previamente com a autoridade policial e que ele aguardou no local sem tentar fugir ou resistir.
A defesa de Kathellen também sustenta que ela se apresentou voluntariamente para o cumprimento da ordem.
Vídeos divulgados pela Polícia Civil mostram os agentes entrando na residência e comunicando as prisões. Uma filha bebê do casal estava no imóvel e foi entregue à família materna.
Depois de levados à Delegacia de Homicídios, os dois prestaram depoimento e passaram por exame de corpo de delito. Igor foi encaminhado para uma unidade prisional masculina, e Kathellen, para o sistema prisional feminino.
Polícia investiga tortura
Durante entrevista coletiva, o delegado Eduardo Menezes afirmou que as lesões encontradas na região anal e no intestino de Gustavo foram analisadas dentro de um cenário de violência generalizada.
A linha adotada inicialmente pela investigação é de que os ferimentos tenham sido provocados como parte das agressões e usados como meio de tortura.
A polícia explicou que, se fossem encontradas apenas lesões na região anal e intestinal, a hipótese de estupro seguido de morte teria maior força. Como o menino também apresentava ferimentos na cabeça, na face e em outras partes do corpo, além de hemorragia interna, os investigadores consideraram inicialmente um contexto mais amplo de espancamento e tortura.
A suspeita de violência sexual, entretanto, não foi descartada. Exames laboratoriais para identificar sêmen e outras substâncias ainda devem ser incorporados ao inquérito.
O que apontou a perícia
O laudo do IML concluiu que a criança sofreu múltiplas agressões. Entre as lesões descritas estavam ferimentos na face, hemorragia interna, laceração intestinal e danos na região anal.
Não foram encontrados indícios de afogamento, segundo o diretor do IML.
As conclusões enfraqueceram a versão apresentada pela defesa do pai, segundo a qual Gustavo teria sido retirado da piscina, recuperado a consciência e sido colocado para dormir após apresentar melhora.
A causa e o horário exato da morte também são analisados pelos peritos. A investigação trabalha com a possibilidade de que o óbito tenha ocorrido ainda no domingo (2), antes do momento em que o pai afirma ter encontrado a criança sem sinais vitais.
Versão da defesa de Igor
Os advogados de Igor informaram que ele colaborou desde o início, procurou a delegacia, prestou esclarecimentos e entregou as chaves da residência para a perícia.
Após a decretação da prisão, a defesa afirmou que o investigado permaneceu no local combinado e aguardou o cumprimento do mandado. Os advogados disseram que não comentariam os detalhes das acusações por causa do sigilo do inquérito.
A versão sobre o afogamento continua sendo a explicação apresentada pela defesa para os acontecimentos do fim de semana.
Defesa de Kathellen pede medida menos rigorosa
A defesa de Kathellen informou que recebeu com surpresa a decretação da prisão e argumentou que ela é mãe de uma bebê em fase de amamentação.
Os advogados anunciaram que pedirão a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares ou, alternativamente, por prisão domiciliar. Segundo a defesa, a análise judicial deve considerar a situação da filha pequena e o fato de os dois responsáveis terem sido presos simultaneamente.
Até a última atualização, não havia informação sobre decisão da Justiça em relação ao pedido.
OAB suspende inscrição do advogado
Após a repercussão do caso e a decretação da prisão, a Ordem dos Advogados do Brasil no Tocantins aplicou uma suspensão cautelar a Igor Gustavo.
Segundo a entidade, a medida tem caráter temporário e permanecerá em vigor durante a instauração e a análise do procedimento disciplinar no Tribunal de Ética e Disciplina. A OAB ressaltou que o processo deverá garantir contraditório e ampla defesa.
Histórico de disputas familiares
Igor e Sabrina, mãe de Gustavo, não eram casados e mantinham processos relacionados à convivência e à pensão alimentícia.
A defesa de Sabrina afirma que ela já havia relatado ameaças atribuídas ao ex-companheiro e situações em que o menino retornava machucado após as visitas.
O vídeo gravado antes do último fim de semana mostra Gustavo chorando, recusando-se a ir e dizendo que o pai batia nele. Segundo os advogados da mãe, ela temia impedir a convivência sem autorização da Justiça e sofrer consequências em razão de uma possível acusação de alienação parental.
Esses elementos são analisados no inquérito, mas a Polícia Civil não detalhou o peso de cada prova para o pedido de prisão.
Próximos passos
A Polícia Civil deverá concluir os exames complementares, confrontar os depoimentos dos investigados e das testemunhas e estabelecer a dinâmica das agressões.
Também será necessário esclarecer quando Gustavo morreu, quem estava na residência, qual foi a atuação individual de Igor e Kathellen e se houve participação direta, omissão ou tentativa de ocultação de alguma informação.
O enquadramento atual envolve homicídio duplamente qualificado e tortura, mas pode ser alterado conforme o resultado das perícias. Depois de concluído, o inquérito será enviado ao Ministério Público, que decidirá se oferece denúncia à Justiça e por quais crimes.
Até que haja julgamento, Igor Gustavo e Kathellen Moreira são considerados investigados e têm assegurado o direito de defesa.
Por: Warley Costa | Portal Imediato





